Centenário do Dia Internacional das Mulheres

 Parte do texto da Articulação de Mulheres Brasileira, construído para o 8 de março

No Dia 8 de março de 1857, 152 anos atrás, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho. 

A manifestação foi reprimida com violência pela policia e pelos empresários. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.

Em 1910, 53 anos depois, durante a II Conferência Internacional de Mulheres, realizada na Dinamarca, foi proposto que o dia 8 de março fosse declarado Dia Internacional da Mulher em homenagem às operárias assassinadas em Nova Iorque. A partir de então esta data começou a ser comemorada no mundo inteiro.

Em 1975, 60 anos depois da II Conferencia Internacional da Mulher e 118 anos depois da tragédia em Nova York, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas),  através de um decreto.

 O dia 8 de março se configura como um marco importante de resistência das mulheres, que não poderia ter sido apagado da história, como tantas outras barbáries que viveram e ainda vivem as mulheres. Na maioria dos países é um dia de discussão e reflexão, de análise das conquista e dos desafios para a igualdade de direitos entre homens e mulheres.

Infelizmente em países capitalistas e patriarcais este dia também é usada pelo Mercado que encontra neste dia de marco de luta das mulheres, um dia para venda de produtos, na sua maioria produtos de beleza e de casa, despolitizando e desrespeitando esta data de homenagem as mulheres que na resistência, perderam suas vidas lutando pela igualdade de direitos.

Sabemos que, mesmo com algumas conquistas importantes os homens continuam tendo mais direitos, e se, os direitos não são iguais, o que os homens têm em nossa sociedade não são direitos, são privilégios. Direitos são para todos e todas, e não apenas uma parte da sociedade dividida pelo sexo, pelo caráter biológico.

SOBRE A LIBERDADE E AUTONOMIA DAS MULHERES

Sueli Valongueiro
Coordenadora do Fórum de Mulheres de Pernambuco e do Grupo Curumim

 A liberdade é parte da concepção que o feminismo defende e apregoa.  O feminismo compreende as mulheres como pessoas livres. Ou seja, para o feminismo, nós, mulheres, não temos obrigação de realizar nenhum papel social, não temos nenhum destino biológico para cumprir, não temos que fazer tarefas próprias de nós, mulheres.

 Para o feminismo, nós, mulheres, somos livres e diversas, capazes de fazer escolhas, construir projetos de vida, tomar decisões.

 O patriarcado, entretanto, nos nega esta condição. O patriarcado nos julga intelectualmente incapazes, biologicamente determinadas, moralmente inferiores. Por isto nos nega o direito a autonomia. 

Para o feminismo, a autonomia das mulheres é um princípio político e organizativo e um horizonte em direção ao qual caminhamos todas.

Por autonomia compreende-se a possibilidade das mulheres definirem e deliberarem sobre todos os aspectos de sua vida e em todas as relações sociais nas quais estamos inseridas. Esta possibilidade deve ser vivida livre de coerção e estar baseada em valores e princípios que as mulheres, cada qual, escolham adotar para si mesmas.

A conquista da autonomia e da liberdade para todas as mulheres é o objetivo mais radical e profundo do feminismo. A denúncia da opressão e exploração, em todas as suas formas e nuances, é o que de mais contestador fazemos.

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