Mais mulheres estão nos Parlamentos mundiais e Bolívia é destaque

Fonte: http://www.maismulheresnopoderbrasil.com.br

Esta é a constatação da União Interparlamentar, de acordo com os novos dados divulgados pelo ranking feito pela organização, que mede a presença das mulheres nos Parlamentos de 186 países. O percentual passou de 18,5% em setembro de 2009 para 18,9%, considerando as parlamentares na Câmara dos Deputados e no Senado.

Levando em consideração as duas casas separadas, na Câmara Baixa, as deputadas eram 18,7% e, agora, são 19,1%. Na Câmara Alta, as senadoras agora representam 17,9%, em comparação a 17,5% em setembro de 2009.

Do último ranking analisado pelo site www.maismulheresnopoderbrasil.com.br, 17 países tiveram eleições, 12 elevaram seus percentuais de mulheres nos Parlamentos, um manteve, outro está com dados ainda indisponíveis e apenas três tiveram redução desses percentuais.

Mas nenhum ainda conseguiu a façanha de alcançar Ruanda, a única nação com mais de 50% de mulheres no Parlamento, 56,3% na Câmara dos Deputados. Entre os 20 primeiros do ranking, Noruega, Moçambique e Alemanha passaram por processo eleitoral e todos tiveram incremento de mulheres em suas Câmaras Baixas, com destaque para Moçambique, que tinha 34,8% de deputadas e passou a ter 39,2%.

Na América, vários países tiveram eleições recentemente: Honduras, Uruguai, Chile, Costa Rica e Bolívia. Honduras e Chile perderam parlamentares e posições. Os hondurenhos passaram por uma séria crise institucional com a deposição do presidente e intervenção militar, fato que pode ter sido um dos motivos para o retrocesso. Tinha 23,4% de deputadas e agora passa a ter 18%, perdendo 24 posições no ranking. Já no Chile, cujas eleições também elegeram um novo presidente, sucedendo a presidenta Michelle Bachelet, que terminou seu mandato com mais de 80% de aprovação popular, o percentual de deputadas caiu para 14,2%, anteriormente era 15%.

No Uruguai, houve ganho de 13 posições, passando de 12,1% para 15,2% de deputadas e de 12,9% para 13,3% de senadoras. Na Costa Rica, onde foi eleita uma mulher para a presidência pela primeira vez no país, Laura Chinchilla, o percentual de mulheres deputadas também aumentou, passou de 36,8% para 38,6%, mantendo o país entre os primeiros no ranking mundial, apesar deste dado ainda não está disponível na tabela, apenas no site da União Interparlamentar.

Entretanto, a surpresa foi na Bolívia. O país elegeu um bom número de mulheres para a Câmara dos Deputados, dos anteriores 16,9% passou a 25,4%. E, no Senado, o percentual deu um grande salto, de 3,7% para 47,2%. Este dado não apenas proporcionou que a Bolívia ganhasse 34 posições no ranking da União Interparlamentar, como fez com que o país alcance o recorde de mulheres no Senado entre todos os países analisados, quase chegando à paridade. As eleições bolivianas também garantiram a reeleição do presidente indígena Evo Morales, que demonstrou total preocupação com o equilíbrio de gênero em seu gabinete, nomeando cinco ministra e cinco ministros, inclusive para pastas diferenciadas, não apenas aquelas culturalmente identificadas com mulheres, como de políticas sociais.

Além dos países na América, algumas outras nações fora do continente tiveram sucesso e ganharam várias posições no ranking. Podemos citar o caso da Tunísia, que elegeu 27,6% de deputadas, quando o percentual anterior era 22,8%; do Uzbequistão, passando a ter 22% de parlamentares na Câmara dos Deputados, mais que os 17,5% que tinha; e a Grécia, que ganhou posições ao eleger 17,3% de deputadas, mais que o percentual de 14,7% anterior.

Depois de Honduras, a nação que teve maior retrocesso foi Botsuana, passando a ter apenas 7,9% de deputadas, um retrocesso aos 11,1% anteriores.

Os resultados obtidos com o novo levantamento da União Interparlamentar são positivos, apesar da morosidade e pequeno percentual acrescido de mulheres que alcançam os Parlamentos. Interessante notar como a diversidade, tanto étnica como de gênero, nas instâncias do Executivo parece estar interferindo no aumento feminino no legislativo, como podemos apreender do caso da Bolívia, Costa Rica e Alemanha, onde a chanceler Ângela Merkel garantiu mais um mandato à frente da terceira maior economia mundial.

Outro dado importante é verificar que, nos países da América, todos apresentam percentuais superiores aos do Brasil, inclusive Honduras. Mesmo perdendo posições, o país apresenta o dobro de mulheres deputadas em relação ao Brasil, 8,8%. Dados que esperamos aumentar com as próximas eleições em outubro de 2010, principalmente levando em consideração a Mini-Reforma Eleitoral aprovada no fim de 2009. De acordo com as novas regras, os partidos devem preencher um mínimo de 30% e o máximo de 70% de vagas de candidaturas para cada sexo. Além disso, reserva 5% do Fundo Partidário a ser utilizado para a criação e manutenção de programas voltados para a participação das mulheres na política e garante 10% do tempo de propaganda partidária para as mulheres.

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