Nota das Jornadas sobre o último debate eleitoral

O último debate entre presidenciáveis, mediado quinta-feira (30), atestou como pouco se avançou nas propostas para as mulheres brasileiras ao longo desta campanha eleitoral. Tanto o debate quanto o último guia eleitoral demonstraram que vivemos sob uma democracia frágil, contaminada pela mediação de discursos religiosos.

Candidatos e candidatas se apresentam lendo trechos de bíblias ou expressando a própria imobilidade frente a ditos tabus, que na verdade são questões que afetam a vida de milhões de pessoas. Este é o caso do debate sobre a legalização do aborto e sobre a liberdade de viver relações homoafetivas. Na busca desenfreada por votos, candidatos e candidatas esqueceram-se que o estado brasileiro é laico, e nele há leis e acordos internacionais que direcionam para o avanço dessas questões como condição para o avanço da democracia.

Assistimos perplexas um desfiar de propostas políticas que reiteram o lugar social das mulheres, de cuidadoras e únicas responsáveis pela prole, que tratam da saúde integral da mulher apenas sob a perspectiva materno-infantil, como é o caso dos programas “Mãe Brasileira”, “Mãe Cegonha” ou outros similares. O que queremos são políticas direcionadas para as mulheres que possam diminuir a escandalosa brecha de desigualdades existentes entre homens e mulheres.

As mulheres somos mais da metade do eleitorado brasileiro. Mais da metade da população. Sem dúvida, vivemos um momento de avanço histórico com duas presidenciáveis no pleito. Porém, este fato não abriu a extrema necessidade de aprofundar o debate sobre essas e outras questões, cruciais para o cotidiano das mulheres. Faltou discutir mais responsavelmente formas de enfrentar a violência contra as mulheres, o racismo, a geração de emprego, o aborto, a liberdade religiosa, a autonomia e a liberdade das mulheres.

Nós, integrantes das Jornadas pelo Direito ao Aborto Legal e Seguro, iremos para as urnas neste domingo com a consciência voltada para estes temas. Sonhamos com que cada eleitora e eleitor faça o mesmo e que o voto seja um instrumento para a garantia dos Direitos Humanos das mulheres.

Eu decido meu voto! Eu decido minha vida!

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