Direito de bater?

Fonte: Professora Daiane Oliveira | www.diariosdeumaeducadora.blogspot.com

As estatísticas, as recentes imagens na mídia, o que todo mundo está careca de saber, é que existe uma violência disseminada e gratuita contra homossexuais. Como aquelas crianças que sentem prazer em torturar o gatinho, o sapo, o cachorro, algumas pessoas, sádicas crianças ignorantes, gastam a sua energia em “brincadeiras” de caçar/aterrorizar quem vivencia a sua condição sexual diferente do que determina a “norma”.

Desta forma, a homofobia é uma ferida aberta na sociedade, com lâmpadas queimadas, socos e pontapés, discursos e orações. Responsáveis? Nós, os que calamos.  Nós, os que falamos. Nós, os que atacamos… O Estado brasileiro, que não criminaliza. As religiões que (não) abençoam tais práticas… Inúmeros “nós” a serem desatados, no rosário e calvário dos fundamentalismos.

O que se pretende aqui é discutir qual o sentido da cruzada empreendida contra a PLC 122, que tenta fazer o justo, o óbvio, o sensato, transformar o crime da homofobia em (tcharam!)… crime.

Deveras oprime a alma pensar como vivemos imersos num mar de ignorância, repleto de tubarões famélicos. Cheiro de sangue atrai e excita, sacia. O crime de não criminalizar a homofobia é praticado de maneira torpe, e não causa horror. Pelo contrário, é como se estivessem praticando um grande serviço para a humanidade, como o faz notórios da política, das Igrejas, até mesmo das Universidades, redutos privilegiados do saber, ao menos na teoria.

Então, cabe perguntar: qual é o serviço histórico que estão a praticar estas pessoas que militam contra a PLC 122? Ora, defendem a manutenção do direito de espancar seres humanos porque sentem prazer de maneira diferente do que está escrito nas suas velhas cartilhas. Defendem o direito de apontar e humilhar pessoas, também por isso. Defendem o direito de proibir direitos, pelo simples fato de acreditarem discordar dos DESEJOS E VONTADES DOS OUTROS. Em suma, defendem o direito de bater, de todas as formas possíveis, na diversidade humana, característica mor da vida.

Talvez isso faça muito sucesso na possibilidade de existir um inferno, como supõem alguns, certamente não do céu. Repleto de boas intenções, estariam lá todos estes digníssimos senhores, relatando casos de sucesso, como a agressão na Avenida Paulista, e tantos outros crimes praticados impunemente à luz do dia, ou nas franjas da noite e esquinas da madrugada.

Aos aplausos efusivos, regozija-se o diabo, alegoria-síntese de todas as nossas pequenezas na terra.

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