Crimes contra a humanidade

Por Ana Veloso, Jornalista Amiga da Criança/ANDI, professora da Universidade Católica de Pernambuco, doutoranda em comunicação pela UFPE, integrante do Coletivo Intervozes, empreendedora Ashoka e colaboradora do Centro das Mulheres do Cabo.

“Não quero ter mais sangue morto nas veias…”

Cruzada,Tavinho Moura / Márcio Borges

Após um final de abril atravessado pelo sofrimento da população de Pernambuco, afetada pelas chuvas, alagamentos e deslizamentos, aportamos no mês de maio. Período em que a sociedade brasileira, de modo mais atento, lança seu olhar para os crimes sexuais praticados contra crianças e adolescentes. No dia 18 de maio, o país vai ser sacudido por ações nacionais em torno do enfrentamento ao abuso e à exploração sexual de meninos e meninas. Crimes que revelam a terrível face da barbárie, ainda tão presente em nossos dias.

De acordo com o site http://15segundos.net, uma criança é abusada a cada 15 segundos em todo o mundo. No Brasil, uma criança é violentada sexualmente a cada 8 minutos. O disk 100, da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, do Governo Federal, recebeu, em média, 77 denúncias por dia, em 2010. O Dossiê Mulher, elaborado por pesquisadores do Instituto de Segurança Pública (ISP) do Rio de Janeiro aponta que mais da metade do universo de mulheres violentadas sexualmente, na cidade, em 2010, foi composto por crianças e adolescentes com menos de 14 anos.

Os estudos revelam que estamos diante de uma questão de saúde pública e de um problema de segurança que precisa ser enfrentado com políticas estruturadoras para castigar os culpados. A impunidade sempre será cúmplice da violência quando o Estado e a sociedade falham. Devemos nos despir da omissão para agir a cada atentado contra a infância e à adolescência. Quem não denuncia, compactua com a cultura da dominação violenta e covarde contra a população infanto-juvenil.

Em Pernambuco, estaremos aderindo à marcha no dia18. ARede Estadual de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual vai comandar várias manifestações. A campanha incidirá sobre o turismo para fins de exploração comercial. Uma parcela da sociedade civil sai às ruas, junto com representantes de órgãos públicos para expor um crime que não cessa de causar horror, revolta e dor. Pensando em colaborar com a causa, estudantes de jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco estão produzindo spots de rádio para sensibilizar o público sobre o problema.

As manifestações querem que a população enxergue, reconheça e não deixe que tais crimes sejam perpetuados. É importante lembrar que o 18 de maio ocorre todos os dias, quando tomamos conhecimento de novos crimes contra a humanidade. Atentados que, infelizmente, ainda são noticiados com objetivos mercadológicos, para atrair a audiência, sob a alegação de que certos veículos de comunicação brasileiros precisam divulgar os casos, mesmo que seja da forma mais sensacionalista possível. Como se a perpetuação da cultura do medo por uma mídia voltada ao espetáculo pudesse resultar em mobilização.

Os meninos e meninas violentados não precisam que sua dor seja cotidianamente exposta, como mercadoria, pelos “meios de incomunicação”. Não devem ser tratados como personagens de um folhetim, nem abandonados à inoperância do Estado e da sociedade. Necessitam viver em liberdade para crescer com seus direitos respeitados como seres em formação, como determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

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